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O setor do turismo na encruzilhada: “renovar-se ou ficar para trás”

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O setor do turismo na encruzilhada: “renovar-se ou ficar para trás”

O turismo, um grande motor económico e grande consumidor de recursos, enfrenta o desafio incontornável da sustentabilidade. A transição exige um roteiro integral, que privilegia a renovação ecológica e a circularidade em vez da construção nova. Isto implica adotar soluções transversais como a eficiência energética, a poupança de água e a integração digital. Redefinir a experiência do hóspede e abraçar um compromisso ambiental tornaram-se o fator-chave de competitividade para o setor.

Este artigo aborda diversas estratégias e soluções para a reconversão hoteleira: renovação ecológica, remodelações, reabilitação energética, circularidade setorial e experiência do hóspede sustentável.

1. Renovar versus construir: o primeiro elo

Face ao modelo tradicional linear de “tomar, usar, descartar”, a renovação e a circularidade — em que um resíduo é um recurso — ganham terreno e são alternativas eficazes contra as alterações climáticas.

Ao contrário da obra nova que, mesmo quando é altamente eficiente, acarreta uma enorme “dívida” de carbono — incorporada durante as fases de extração e transformação de matérias-primas, produção, distribuição e construção — as remodelações implicam menores emissões, geram menos resíduos, exigem menor consumo energético e aproveita o valor já edificado, reduzindo drasticamente o impacto ambiental.

Renovação ecológica e construção circular_1500_844_1
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2. Circularidade e sustentabilidade: a viragem estratégica

Para transformar um antigo hotel num ativo sustentável, a reabilitação e as intervenções devem integrar soluções transversais que trazem múltiplas vantagens, tais como:

  • Recuperação e seleção de materiais de baixo impacto: reciclados, duráveis, de proximidade, naturais (madeira, cortiça, lã mineral…) ou certificados.

  • Reutilização e reparação de componentes: prolongamento da vida útil — in situ ou ex situ — de elementos básicos, utilitários ou decorativos (vigas, caixilharia, mobiliário, têxteis, louças sanitárias…).

  • Reabilitação energética, renováveis e autogeração: eficiência, soberania energética e poupança na fatura graças a fontes alternativas como a geotermia, a aerotermia, a energia solar, o hidrogénio verde ou a eólica.

  • Reciclagem e reutilização da água: poupança de caudal, tratamento de águas cinzentas (duches, lavatórios, máquinas de lavar) para usos não potáveis (cisternas, rega…) ou de águas pluviais (lagos, paisagismo, pavimentos drenantes…).

  • Manutenção preventiva, gestão e monitorização: tecnologia inteligente, sensores e medições para uma tomada de decisão informada.

  • Coberturas verdes e espaços flexíveis e multifuncionais: isolamento térmico, depósito de água pluvial, valor estético, refúgio de biodiversidade e reserva de alimentos.

Renovação ecológica e construção circular_1500_844_2
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Juntamente com as medidas estruturais, proliferam outras estratégias complementares:

  • Plástico “zero”, prevenção de resíduos e desperdício alimentar: água filtrada, doação de excedentes, valorização (compostagem, fabrico de sabões…), etc.

  • Produtos e serviços ecológicos: artigos biodegradáveis, menu de época, fornecedores de proximidade, empréstimo de bicicletas…

  • Sensibilização, consciencialização e incentivos ao pessoal e ao cliente: controlo da procura energética e de água (menor rotação de toalhas, roupa de cama, etc.).

3. Redefinir o papel do hóspede

O viajante atual valoriza os alojamentos alinhados com a sua consciência e valores e procura estadas mais autênticas e próximas do “estar em casa”.

Esta tendência consolida a transição verde da indústria turística e, por sua vez, consolida a inovação baseada em soluções smart como a LOLA.

Este ecossistema digital da Simon transforma a experiência do hóspede ao personalizar o quarto de hotel, que se transforma num ambiente inteligente e sustentável. A LOLA consegue uma atmosfera natural e de bem-estar graças à sua interface intuitiva para modular a iluminação e o clima e monitorizar os consumos, reduzindo o impacto ambiental e melhorando a satisfação do cliente.

Renovação ecológica e construção circular_1500_844_3
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4. Experiências completas: da teoria à prática

O compromisso ambiental, mais do que uma opção, é um exercício de responsabilidade climática e um ativo tanto para grandes cadeias como para estabelecimentos únicos, que se tornaram referência:

  • Hotel Marcel (New Haven, EUA): este edifício industrial, neutro em carbono e com design passivo, é 100% elétrico; produz mais energia do que aquela de que necessita graças aos seus 1.000 painéis solares; com materiais reciclados, biofiltros sem água, jardim comestível e refúgio de morcegos.

  • Ruby Emma Hotel & Bar (Amesterdão, NL): este hotel modernizado maximiza as energias renováveis e beneficia da sua fachada smart revestida a vidro cozido para evitar o sobreaquecimento.

  • Hotel Milano Scala (Milão, IT): este palácio restaurado, com zero emissões, aproveita um aquífero termal para climatização e água quente sanitária; tem painéis solares, jardim na cobertura, louça compostável e água filtrada e servida nas suas próprias garrafas para evitar o plástico.

  • Hotel Four Seasons (Madrid): na reabilitação patrimonial foi incorporada uma cobertura vegetal de baixa manutenção. Tem uma garrafeira climatizada com tecnologia passiva; reciclagem de óleos, contenção de plásticos e certificação BREEAM pelos sistemas de gestão sustentável.

Renovação ecológica e construção circular_1500_844_4
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  • Six Senses (Ibiza): complexo reabilitado e com climatização passiva comprometido com a biodiversidade e a educação ambiental; baixa densidade arquitetónica, alimentação biológica, fauna e flora autóctones, plástico zero, poupança hídrica, programa Earth Lab.

  • Hostal Grau (Barcelona): imóvel do século XIX remodelado segundo as diretrizes da certificação LEED Gold, domotizado e com um forte compromisso com a economia local e a inserção laboral de jovens em risco de exclusão.

5. Um roteiro sem marcha-atrás

A sustentabilidade e circularidade setoriais são uma oportunidade num mercado competitivo e exigente em termos regulatórios que requer o envolvimento de toda a cadeia de valor, desde promotores até ao cliente final, cada vez mais consciente.

O sucesso passa por priorizar a modernização e a renovação ecológica, a reabilitação energética e a implementação de medidas de gestão, eficiência e monitorização e impulsionar a certificação do setor hospitality (LEED, BREEAM, Passive House, Biosphere…) para acelerar a transição verde setorial.

Paralelamente, é fundamental uma comunicação transparente das boas práticas empresariais, de consumos e impactos em tempo real e mesmo considerar incentivos económicos para premiar a proatividade do pessoal e dos clientes.

Além disso, é vital favorecer a preservação da essência do lugar, uma boa convivência e a colaboração com agentes locais (fornecedores, tecido comercial e associativo, economia social…), e fomentar a formação, o emprego e o desenvolvimento local: uma verdadeira revitalização urbana e social do meio envolvente.

Tudo isto garante uma boa inserção territorial e uma perceção pública favorável — antídotos contra a “turismofobia” e uma alavanca económica para o setor e os grupos de interesse.

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Texto de Sònia Roura Valls