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Design de hotéis e IA generativa

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O design hoteleiro já não se limita a definir formas, materiais ou iluminação. Hoje, os espaços concebem-se como experiências vivas, capazes de se adaptar, emocionar e dialogar com quem os habita. Neste contexto, a arte digital e a inteligência artificial generativa emergem como novas ferramentas criativas para construir identidades marcantes na hospitalidade contemporânea.

A integração da arte digital e da arte gerada por IA nos espaços hoteleiros como parte da experiência do hóspede é uma tendência em alta que os estúdios de arquitetura começam a incorporar.A aplicação destas tecnologias permite criar ambientes únicos, personalizados e dinâmicos, fruto da exploração dos benefícios estéticos, tecnológicos e emocionais que podem trazer aos utilizadores. O impacto na perceção individual do espaço e a diferenciação de marca tornam-se assim dois dos principais objetivos da nova identidade visual hoteleira.

A utilização da arte digital nos hotéis e o emprego de soluções geradas por IA demonstram que o design da hospitalidade do futuro está intrinsecamente ligado às novas tecnologias. Neste contexto, a entidade Ambit Cluster apresentou recentemente o relatório Tendências de IA Generativa em Hospitality Design, desenvolvido em colaboração com a CETT Barcelona School of Tourism, Hospitality and Gastronomy e a empresa tecnológica Sciling. Estas três instituições propuseram-se analisar em que medida “a inteligência artificial generativa está a transformar a gestão, o design e a experiência dos espaços no setor hospitality”, comentam.

Design de hotéis e IA generativa_1500_844_1
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Nasce uma tendência

Embora ainda se trate de uma prática emergente, os primeiros casos de utilização da arte digital em hotéis começam a marcar o caminho. Daí que o Ambit Cluster tenha convocado este mês de janeiro especialistas como Jaisiel Madrid, Brina Antúnez e Germán Sanchis para refletir sobre o impacto da IA generativa no setor. Segundo o Ambit Cluster, o encontro dirige-se às “equipas de design, responsáveis de inovação, marketing e estratégia do setor habitat que procuram orientação sobre como avançar na transformação dos projetos hospitality através da incorporação da inteligência artificial generativa”.

No seu papel como cluster, a Ambit impulsiona a colaboração entre designers, fabricantes e gestores de espaços, salientando que “a CETT trouxe a sua visão académica e de investigação aplicada em turismo e hospitalidade, garantindo o rigor setorial e contextual e, por sua vez, a Sciling, como empresa especializada em inteligência artificial generativa e sistemas multiagente, trouxe o conhecimento tecnológico necessário para oferecer uma análise atualizada e prática sobre o alcance real desta tecnologia no setor”.As conclusões e os casos práticos resultantes do encontro realizado a 23 de janeiro em Barcelona deverão marcar futuras linhas de desenvolvimento.

Inspirações e vantagens do design com IA

Nesta mesma linha, a Ambit inspira-se em criadores situados na vanguarda do design por IA, como o arquiteto Amir Hossein Noori ou a start-up Laurel Visuals. Ambos participaram em fóruns em que se debateu a forma “como as tecnologias generativas estão a transformar o papel do designer e a experiência do utilizador durante o desenvolvimento de projetos no setor hospitality”.

Para a Ambit, “a IA generativa não só otimiza processos, como também abre novas narrativas estéticas e funcionais no design de interiores. Para os gestores de espaços, representa uma ferramenta estratégica que permite antecipar necessidades dos utilizadores, otimizar recursos, personalizar experiências e melhorar a tomada de decisões na configuração e operação dos ambientes”.

Uma visão partilhada pela Arup, firma global de arquitetura, engenharia e consultoria, que afirma que “a inteligência artificial está a transformar por completo o design das cidades e a infraestrutura”. Além disso, considera que “a IA aplicada ao desenho urbano e à infraestrutura pode reduzir os custos de construção e melhorar a sustentabilidade, acelerando a transição para cidades mais verdes e resilientes”.

Inteligência artificial e arte em hotéis

Em relação à arte digital gerada por inteligência artificial, Pepa Casado D'Amato, sócia fundadora e investigadora principal da Futurea e recentemente diretora criativa do Interihotel, assinala: “Há exemplos, mas ainda são escassos se nos cingirmos à arte digital gerada com IA em hotéis. O que existe é um debate muito ativo no mundo da arte digital, onde se estão a testar linguagens e formatos que acabarão por permear a hospitalidade.É razoável pensar que, à medida que se consolide um mercado para este tipo de obras e instalações, veremos mais hotéis — sobretudo em projetos singulares ou de autor — a incorporar propostas deste tipo”.

Design de hotéis e IA generativa_1500_844_2
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Um caso prático destacado é o do estúdio de arquitetura ERRE e o processo criativo desenvolvido para a coleção artística do Grand Hotel Centenari Valencia. A encomenda partia da criação de uma série de obras contemporâneas que transcendessem o meramente decorativo. “Propusemo-nos que não fossem simplesmente peças decorativas, mas que construíssem uma narrativa visual coerente com a identidade do lugar, motivando os hóspedes a conhecer diferentes recantos da cidade, valorizando o seu património histórico”, indicam.

A linguagem art déco revelou-se como a mais adequada, já que o edifício foi projetado em 1925 e “reflete uma clara influência da Escola de Chicago”. Não obstante, a equipa apostou por “uma reinterpretação a partir de um olhar local, dando lugar a um ‘art déco valenciano'”, estabelecendo um diálogo mais genuíno com a arquitetura e a história de Valência.

O processo combinou a preparação de “um banco de imagens e referências para guiar o desenvolvimento visual” com o uso da IA como ferramenta de exploração.No entanto, como sublinham desde a ERRE, a tecnologia não substitui a autoria humana. Em linha com Casado D'Amato, que afirma que “não há arte sem um ser humano por detrás”, o estúdio assinala que a IA “foi uma ferramenta de exploração e esboço”, o que tornou necessário um refinamento manual posterior.

Exemplo de qualidade IA vs humana, fruto da investigação da ERRE, inspirado na cúpula do Mercado Central de Valencia, aplicado depois aos elementos decorativos do Grand Hotel Centenari Valencia.
Exemplo de qualidade IA vs humana, fruto da investigação da ERRE, inspirado na cúpula do Mercado Central de Valencia, aplicado depois aos elementos decorativos do Grand Hotel Centenari Valencia.

O resultado final liga os hóspedes ao meio urbano e confirma que a inteligência artificial, integrada de forma sensível, amplia as possibilidades criativas do design sem deslocar o olhar humano que dá sentido aos espaços.

Texto de Beatriz Fabián