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Certificações: um caminho para a descarbonização arquitetónica

6 min de leitura

A edificação é responsável por 34% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂). Neste contexto, as certificações ambientais atuam como um dos antídotos. Neste artigo damos-lhe as principais chaves da descarbonização do setor.

A edificação é responsável por 34% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂).

Neste contexto, as certificações ambientais atuam como um dos antídotos. Neste artigo damos-lhe as principais chaves da descarbonização do setor.

Porque certificar?

O movimento pró-certificação remonta aos anos 70, em resposta à crise energética, e consolidou-se a par da progressiva consciência coletiva ambiental. Hoje em dia, num cenário climático desfavorável, os selos de certificação sustentável tornaram-se um instrumento eficaz para mitigar o impacto ambiental e dar cumprimento à normativa.

A partir de regras do jogo únicas e de padrões rigorosos, para a certificação sustentável avaliam-se parâmetros críticos e estabelecem-se critérios sistémicos que apoiam a tomada de decisões de design, construção e gestão durante o ciclo de vida dos edifícios.

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Um mundo de certificações

Atualmente há uma certa febre de certificação, especialmente de projetos corporativos, equipamentos públicos, edifícios residenciais e mesmo de ambientes urbanos.

Entre os padrões mais reconhecidos internacionalmente destacam-se:

  • Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM). Originário do Reino Unido, tem abordagem de ciclo de vida e é muito popular na Europa.

  • Leadership in Energy and Environmental Design (LEED). Surgido nos Estados Unidos, tem uma visão holística e está muito difundido entre as grandes corporações.

  • WELL. Coloca no centro a saúde humana e o bem-estar.

  • Passivhaus. Padrão alemão focado em medidas passivas para alcançar um consumo energético mínimo.

  • Living Building Challenge. Procura a simbiose perfeita entre arquitetura, pessoas e ambiente.

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Existem ainda selos adaptados a outras realidades e enquadramento local como o VERDE, em Espanha, que procura equilibrar os aspetos sociais, ambientais e económicos, ou o DGNB, selo alemão de forte base técnica e económica.

Embora o processo de certificação seja longo e complexo, traz diversos benefícios:

Ambientais:

Compromisso ambiental a longo prazo.

Redução do impacto sobre o planeta.

Mitigação do risco climático e maior resiliência.

Económicos:

Otimização dos recursos.

Eficiência operacional e diminuição de consumos.

Menores gastos de funcionamento e manutenção.

Sociais:

Qualidade arquitetónica e bom design de interiores.

Envolvimento das partes interessadas.

Bem-estar, saúde e segurança das pessoas.

Conforto e satisfação dos utilizadores.

Integração urbanística, contribuição e perceção positiva da comunidade.

Estratégicos:

Fomento da inovação e da melhoria contínua.

Capacidade de atração, retenção de talento e produtividade.

Posicionamento de marca, imagem e prestígio perante clientes, investidores, utilizadores.

Valor acrescentado e vantagem competitiva.

Maior atratividade, valor de mercado e oportunidades de financiamento verde.

As certificações estabelecem especificações e medem múltiplos parâmetros, favorecendo medidas de poupança, eficiência, boa gestão e controlo do impacto com base em:

  • Localização. Densidade urbana, valor ecológico, controlo de emissões e erosão, poluição luminosa e acústica, restauro do ambiente, etc.

  • Acessibilidade. Urbanização exterior segura e agradável, serviços, transporte público, estacionamento para bicicletas, promoção da mobilidade pedonal e ativa, etc.

  • Materiais e recursos. Origem, materiais naturais, ecoetiqueta, reutilização, reciclabilidade, ciclo de vida (ACV), pegada hídrica, desmaterialização, minimização e redução de resíduos, circularidade, recolha seletiva e gestão adequada.

  • Energia. Princípios bioclimáticos, orientação, isolamento e desenho passivo, fontes renováveis, autossuficiência, iluminação e climatização natural, eficiência, monitorização da procura energética, carregadores de veículo elétrico, plano de mobilidade.

  • Água. Sistemas de captação e drenagem, gestão de águas pluviais, poupança e eficiência, reutilização de água, vegetação de baixo consumo hídrico, monitorização.

  • Naturalização. Biodiversidade, zonas ajardinadas, coberturas verdes e energéticas, produção alimentar.

  • Saúde e bem-estar. Conforto visual, térmico e acústico, qualidade do ar interior, iluminação natural e vistas para o exterior, alimentação consciente, atividade física, privacidade, design inclusivo, ergonomia, presença de verde, etc.

  • Emissões e gestão do ciclo de vida. Avaliação da pegada de carbono da construção e uso, e gestão do processo de design.

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SWITCH, uma fábrica com muitas luzes

A sede corporativa da Simon, conhecida como SWITCH (Simon, Worldwide, Innovation, Talent, Community, Hub) e inaugurada em 2023, é um bom exemplo de arquitetura sustentável, tendo sido reconhecida com as certificações LEED Platinium, Lean2 Cradle e WELL Platinium pela sua excelência.

Desde o primeiro momento optou-se pela durabilidade através da reabilitação da antiga fábrica, liderada por Fermín Vázquez e b720, dando-lhe nova vida, salvaguardando a memória industrial e contribuindo para a regeneração urbana de Poblenou. Neste sentido, a intervenção consegue um diálogo presente-passado e interior-exterior, graças ao showroom e ao espaço de eventos, que interagem visualmente com os transeuntes.

No seu interior, Katty Schiebeck Studio recria "uma atmosfera doméstica" e recupera-se o valor utilitário e simbólico das escadas para articular os espaços, pensados para evoluir conforme a conveniência.

A luz, como não poderia ser de outra forma, é — segundo Michela Mezzavilla MMASlighting — "a matéria-prima e o fator aglutinador (...), funciona por camadas sobrepostas: resolve os aspetos funcionais, (...) necessidades emocionais, de bem-estar e conforto das pessoas".

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O pátio, desenhado pelo Estudi Antoni Arola juntamente com Jordi Tamayo, traz luz e vegetação, "imprescindível na arquitetura e nas cidades". A este soma-se o terraço mediterrânico, com painéis solares que alimentam o SWITCH, ligado à rede de calor e frio do distrito.

A aplicação de tecnologias inteligentes e de soluções desenvolvidas ad hoc pela Simon geram um local de trabalho humano, agradável, flexível e adaptativo, preparado para o futuro.

Para além do selo: impacto real e desafios

O horizonte de neutralidade climática europeia, que aspira a uma arquitetura "zero emissões" e regenerativa, é um grande motor para a transição verde e a circularidade do setor, para a qual contribuem as certificações sustentáveis.

Para além do cumprimento legal ou da resposta aos desafios ambientais a curto, médio e longo prazo, as certificações são um instrumento de melhoria contínua e uma oportunidade real de descarbonização da construção — em contraposição ao greenwashing.

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Ter um selo não é garantia por si só se não houver uma monitorização para medir, analisar e otimizar o comportamento ambiental diário, através da implementação de tecnologias e medidas corretivas específicas.

Claro que o compromisso de todos os agentes envolvidos e o papel das pessoas que dão vida ao edifício são determinantes. Priorizar a restauração e reabilitação energética, materiais baixos em carbono, arrendamentos verdes, etc., e, claro, gestos quotidianos como regular os termóstatos, apagar as luzes, evitar os standby, etc., são exemplos de boas práticas que amplificam e dão coerência à boa arquitetura e à certificação sustentável.

Redação por Sònia Roura Valls.